Workshop de Icnologia do Projeto SEAP integra dados icnológicos e geoquímicos de alta resolução
21/05/2026
Em 20 de maio de 2026, a Universidade Federal Fluminense sediou o Workshop de Icnologia do Projeto SEAP, financiado pela Petrobras, reunindo pesquisadores, pós-graduandos e especialistas dedicados ao estudo dos registros de atividade biológica preservados em sequências sedimentares.
O evento marcou um passo significativo na agenda científica associada ao Projeto SEAP e às atividades do LAM+. Pela primeira vez no âmbito do projeto, dados icnológicos foram sistematicamente confrontados com registros geoquímicos de alta resolução obtidos por Fluorescência de Raios-X (FRX), abrindo uma nova perspectiva interpretativa para os depósitos da Bacia Sergipe-Alagoas.
A integração entre o Índice de Bioturbação e elementos redox-sensíveis, como o manganês, permite reconstruir em alta resolução as condições de oxigenação do substrato durante a deposição — uma janela valiosa para compreender a dinâmica paleoceanográfica de margens continentais.
O que foi discutido
Durante o workshop, foram tratados fundamentos conceituais e metodológicos da icnologia, incluindo a identificação de icnofósseis e icnofácies, com foco na icnodiversidade registrada na Bacia Sergipe-Alagoas. A discussão central girou em torno da aplicação de critérios icnológicos para interpretação paleoambiental, especialmente quando articulados com dados geoquímicos de alta resolução.
O estudo de caso apresentado demonstrou como variações no Índice de Bioturbação (IB), ao longo de um testemunho sedimentar com cerca de 60 metros de profundidade, se correlacionam sistematicamente com flutuações no teor de manganês, representado como ln Mn. Esse elemento é sensível às condições de oxirredução do ambiente deposicional e pode contribuir para a interpretação das condições de oxigenação do fundo durante a deposição.
Intervalos com maior bioturbação tendem a coincidir com condições mais oxigenadas e, consequentemente, com maiores concentrações relativas de Mn. Por outro lado, horizontes com preservação laminar podem indicar episódios de anoxia ou hipoxia de fundo, nos quais a atividade bentônica foi reduzida ou limitada.
A contribuição do LAM+
O LAM+ conta com infraestrutura de imageamento hiperespectral nas faixas VNIR e SWIR, além de scanner de FRX, equipamentos que permitem análises contínuas e não destrutivas em testemunhos sedimentares. Essa capacidade instrumental posiciona o laboratório de forma estratégica para conduzir estudos integrativos que articulem dados sedimentológicos, icnológicos e geoquímicos.
Essa abordagem ainda é incipiente no Brasil, mas apresenta grande potencial para a compreensão da história paleoclimática e paleoceanográfica do Atlântico Sul, especialmente em estudos voltados à reconstrução de condições deposicionais, variações redox, produtividade, oxigenação de fundo e dinâmica de margens continentais.
A interface entre icnologia e geoquímica elementar, consolidada neste workshop como uma nova frente interpretativa para o Projeto SEAP, representa apenas o ponto de partida. O LAM+ está desenvolvendo protocolos para a integração sistemática dessas fontes de dados em estudos de reconstrução paleoambiental, com aplicações tanto em pesquisa básica quanto em contextos de relevância para a indústria de óleo e gás.